Parte do artigo " Ferramentas de interação em ambientes educacionais mediados por computador" de Alex Primo, disponível em: http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/ferramentas_interacao.pdf
Muitas são as ferramentas disponíveis para a mediação em ambientes de educação através do computador. O que se apresenta a seguir é uma análise de diversas ferramentas a partir de seu potencial interativo, tendo como ponto de partida a tipologia recém apresentada.
O serviço de e-mails permite uma discussão assíncrona entre no mínimo duas pessoas (tendo em vista que uma mesma mensagem pode ser enviada para um número bem maior de destinatários). Na verdade, o serviço de mensagens textuais eletrônicas é um dos mais antigos na Rede7. Porém, já evoluiu muito em sua breve história. Inicialmente, as mensagens podiam conter apenas texto. Atualmente, e-mails podem ser escritos em HTML e conter imagens, backgrounds e carregar consigo qualquer outro arquivo (em attachment). Mesmo assim, certas mensagens não-verbais como fisionomia ou entonação de voz, importantes em um contato interpessoal, não podem ser valorizadas através de e-mails. Convencionou-se assim o uso de emoticons8 com o intuito de oferecer pistas sobre como se sente o redator ao escrever a mensagem (alegre, triste, irônico, etc.). Através de e-mails é possível debater-se sobre os mais diversos assuntos, e até mesmo apaixonar-se ou ofender-se. Pode-se perceber através desse serviço interações mútuas onde os interagentes envolvidos se transformam uns aos outros através (principalmente) de mensagens textuais, e vão aos poucos qualificando a relação que constróem entre si. A interação que assim emerge só vai se definindo durante o processo. Não se encontra determinada ou prevista por antecedência9. As mensagens só são criadas e significadas a partir da complexidade cognitiva de cada um, levando em conta os contextos envolvidos e diante da relação que eles erguem.
Já uma lista de discussão é um serviço que recebe e distribui mensagens de todos seus “assinantes”. Logo, um e-mail enviado ao endereço eletrônico da lista é distribuído a todos participantes. Esta é mais uma ferramenta que permite interações mútuas entre diversas pessoas. Diferentemente do e-mail que normalmente é usado para o diálogo “um para um”, as listas permitem discussões de “muitos para muitos”. Devido à freqüente intensidade de debates e número de mensagens compartilhadas, mesmo interagentes que jamais se encontraram fisicamente tem a impressão de se conhecerem muito bem. Além disso, como a grande maioria das listas de discussão tem por objetivo uma temática específica, muitas são as comunidades virtuais que se organizam a partir e em torno desse serviço eletrônico. Os participantes dessas comunidades acabam por demonstrar uma responsabilidade pelo bom andamento das discussões e pela manutenção da coesão do grupo. Além disso, muitos são os neologismos e gírias criados no interior do grupo que, mesmo sendo inventados, passam a ter um significado compartilhado pela comunidade.
Se tanto os e-mails quanto as listas de discussão permitem interações assíncronas, os chats ou salas de bate-papo oferecem um ambiente para a livre discussão em tempo real, isto é, de forma síncrona. A interface comum desse serviço permite ao participante saber quem são as outras pessoas (ou pelo menos o apelido ou nick adotado) que estão conectadas e interagindo naquele momento. Além de enviar mensagens que serão mostradas na janela principal de todos participantes, cada interagente pode se comunicar em PVT (sigla para private, isto é, canal privativo) com outra pessoa sem que o resto da “sala” visualize o diálogo. O chat é uma das ferrament as mais poderosas para a interação mútua pois, devido à velocidade de intercâmbio de mensagens textuais (com ou sem imagens anexadas), oferece um palco para diálogos de alta intensidade e para a aproximação de interagentes sem qualquer proximidade física. Freqüentemente, pessoas que se conhecem em salas de bate-papo passam a se corresponder através de seus e-mails pessoais e assim, vão criando entre si uma relação de crescente proximidade, mesmo que separados geograficamente.
A videoconferência, por sua vez, incorpora as vantagens dos chats somando o recurso de emissão e visualização de imagens em vídeo dos interlocutores. Se em outras ferramentas, mensagens faciais não-verbais não podiam ser valorizadas, através do uso de pequenas webcams os interagentes podem ver como se comporta fisicamente seu parceiro no diálogo, e vice-versa. Contudo, por causa da maior quantidade de dados necessários para a constituição de cada quadro (frame) da imagem videográfica, a qualidade do movimento do vídeo é prejudicado devido a atual baixa taxa de transmissão de bits por segundo na Internet. E se ao vídeo ainda é somado o áudio da voz do interlocutor, incrementa-se ainda mais a quantidade de dados a enfrentar a pequena largura de banda da rede brasileira, que acaba funcionando como um estreito gargalo que limita sobremaneira o envio de dados em tempo real. Isto é, o vídeo visto na pequena janela de videoconferência mostra uma imagem com poucos quadros por minuto, fazendo com que o movimento fique truncado. Diante dessa limitação, muitas vezes despreza-se a transmissão da voz, preferindo-se associar uma janela de chat em modo texto para acelerar o envio e recebimento de informações.
Outra ferramenta de interação que passa a ter uso em ambientes de ensino à distância é o chamado quadro branco. Trata-se de um programa que pretende simular o uso de um painel onde todos possam escrever e desenhar. Mas, mais do que isso, além de todos os participantes verem o que os outros fazem, é possível também que cada um deles interfira, acrescente ou mesmo apague o texto ou ilustração do outro. Os programas de quadro branco se constituem em uma poderosa ferramenta para a construção cooperativa de documentos. No entanto, os interagentes muitas vezes apresentam dificuldades de coordenação, já que todos podem modificar o quadro ao mesmo tempo. Isso mostra também a dificuldade que muitos apresentam
em trabalhar de forma cooperada, tendo em vista a ênfase de nossa cultura no trabalho individual.
Já os fóruns e livros de visita (guestbooks) servem de interface tanto para interações mútuas quanto reativas, dependendo de seu uso e objetivo. São muito usados a Web para que os visitantes de um site, por exemplo, deixem suas opiniões e sugestões sobre as páginas visitadas. Cada texto enviado é ordenado em uma seqüência cronológica. O serviço é normalmente usado para simples registro linear de opiniões10, mantendo-as em uma estrutura estática que pouco motiva o intercâmbio de idéias. Por outro lado, pode servir de ambiente para debate de certos temas propostos.
Alguns preferem o uso de fóruns por seu ordenamento de todas as mensagens enviadas em uma ou mais web-pages. Dessa forma, qualquer pessoa que visite o site pode recuperar a evolução da discussão. Porém, isso resulta em maior tempo de espera para que toda a página seja carregada no browser. Cada vez que se queira ler ou enviar novas opiniões é preciso aguardar o download de todo código HTML, que vai ficando progressivamente maior e “mais pesado”.
Me pareceu interessante está visão sobre as ferramentas utilizadas para a interação em ambientes virtuais. É possível perceber que existe um número grande de possibilidades de interação, mas para isso é necessário conhecimento sobre as mesmas.
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